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Receber a notícia de uma medida protetiva costuma vir junto com medo e dúvidas. Posso voltar para casa? Vou ver meus filhos? Preciso de advogado? A Lei Maria da Penha protege a mulher, mas o processo também garante a quem é apontado como agressor o direito de se defender. Neste artigo, você entende o que precisa ser cumprido desde já e quais são os caminhos legais de defesa.
A medida protetiva de urgência é uma ordem judicial para afastar uma situação de risco. Por isso, o juiz pode concedê-la logo depois do pedido da mulher, sem ouvir antes o homem, e tem até 48 horas para decidir (art. 18 da Lei 11.340/2006). Ela pode ser concedida sem boletim de ocorrência, inquérito ou processo em andamento (art. 19, § 5º).
Isso não significa que a acusação esteja provada. A medida protetiva é uma tutela de urgência: protege enquanto os fatos são apurados. O direito de defesa vem em seguida, no próprio processo.
As medidas que recaem sobre o homem estão no art. 22 da Lei Maria da Penha. As mais comuns são:
Mesmo quem discorda da medida precisa cumpri-la enquanto ela estiver em vigor. Descumprir uma medida protetiva é crime, com pena de reclusão de 2 a 5 anos e multa (art. 24-A), e pode levar à prisão preventiva.
Se a situação mudou, o caminho seguro é pedir ao juiz a revisão da medida, e não resolver por conta própria.
A defesa técnica pode atuar em várias frentes, conforme o caso:
Provas úteis costumam ser conversas completas (e não apenas trechos), registros de horários e locais, testemunhas e documentos que mostrem a rotina do casal e dos filhos.
Em julgamento de recursos repetitivos, o Superior Tribunal de Justiça fixou que:
Na prática, quem responde à medida pode pedir a reavaliação, mas precisa demonstrar concretamente que a situação de risco acabou.
A medida protetiva pode restringir ou suspender as visitas, mas o vínculo com os filhos continua sendo discutido na Vara de Família. Em muitos casos, é possível pedir a regulamentação da convivência de forma compatível com a proteção da mulher, por exemplo com entrega e busca das crianças por terceiros ou em local neutro. Veja mais sobre convivência e visitas e sobre guarda dos filhos.
Fazer uma acusação sabendo que ela é falsa, levando à abertura de investigação ou processo, pode configurar o crime de denunciação caluniosa (art. 339 do Código Penal). Mas é preciso cuidado: uma absolvição por falta de provas não significa, por si só, que a acusação foi inventada. Cada situação deve ser analisada com calma, sem iniciativas por conta própria contra a mulher.
No escritório, o atendimento é feito com sigilo profissional, presencialmente no Centro Cívico ou por videochamada. Analisamos a decisão, explicamos o que precisa ser cumprido e indicamos os caminhos de defesa no Juizado de Violência Doméstica e na Vara de Família. Veja também a página sobre Maria da Penha e o Juizado de Violência Doméstica e o artigo sobre violência doméstica e familiar.
Não, se houver proibição de contato. Mesmo que a iniciativa seja dela, a resposta pode ser considerada descumprimento da medida, que é crime. Se a situação mudou, peça a revisão ao juiz.
Não automaticamente. Pelo Tema 1249 do STJ, a medida dura enquanto houver risco. Arquivamento ou absolvição não a extinguem por si sós, mas podem ser levados ao juiz em um pedido de reavaliação.
Não necessariamente. As visitas podem ser restringidas ou suspensas pela medida, mas a convivência com os filhos pode ser discutida na Vara de Família, com formas compatíveis com a proteção da mulher.
Fontes: Lei 11.340/2006 (arts. 18, 19, 22 e 24-A, com as alterações das Leis 13.984/2020, 14.550/2023, 14.994/2024 e 15.383/2026); Código Penal, art. 339; STJ, Tema 1249 (recursos repetitivos).
Publicado em 02/11/2026 · Por Dr. Winderson Jaster, OAB/PR 57.388 · Artigos
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a análise de um advogado sobre o seu caso.